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Aug 29, 2026

Deuses ou Arquétipos, Mitos ou Ciência na Astronomia Ancestral

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Pintura em acrílico sobre tela "Deuses ou Arquétipos", de Joana Burnay.

Neste Artigo

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Parte I — A Mecânica Celeste e a Ciência Circular

I - 1. A Matriz de 1440 Minutos e a Ordem Harmónica Cósmica

I - 2. A Ciência Circular — A Transição do Céu para a Terra

I - 3. A Matriz de 1440 Minutos — O Referencial de Evolução Integrada

I - 4. A Tridimensionalidade do Espaço-Tempo — Sentido Solar e Sideral

I - 5. A Sincronicidade e a Proporção das Dinâmicas Orbitais

I - 6. Sistemas Naturais e cíclicos

I - 7. Os Paradigmas — O Método Ancestral e o Mecanicismo Moderno

I - 8. A Projeção Horizontal — O Espaço-Tempo como Gerador da Vida

I - 9. A Dimensão Psíquica da Matéria e a Inteligência Cognitiva do Universo



Parte II — A Natureza Viva, a Psique e a Emocionalidade da Matéria

II - 1. A Rede Psíquica e Emocional da Matéria e a Sublimação Espiritual

II - 2. A Emergência do Novo Paradigma — Da Desconstrução de Descartes ao Reconhecimento dos Direitos da Natureza

II - 3. O Paradigma Moderno da Energia — Da Mecânica Quântica às Abordagens Holísticas

II - 4. A Tecnologia Ancestral e a Natureza como Laboratório Cósmico

II - 5. A Dupla Manifestação Cósmica — O Diálogo entre o Visível e o Invisível

II - 6. Autorregulação, resistência e Adaptação Cíclica da Vida


Parte III — Arquétipos, Mitologia e a Mudança de Paradigma

III - 1. A Geometria do Espaço-Tempo na Matemática, na Arquitetura e na Espiritualidade

III - 2. Os Deuses como Arquétipos e o Alinhamento com a Ordem Cósmica

III - 3. A Mitologia como Ciência Psíquica — As Pontes com Jung e Joseph Campbell

III - 4. O Ciclo dos Paradigmas: Kuhn e o Princípio de Planck



Logotipo da Astronomia Ancestral por Joana Burnay.


Parte I — A Mecânica Celeste e a Ciência Circular 


I - 1. A Matriz de 1440 Minutos e a Ordem Harmónica Cósmica


A compreensão do sistema em que assenta a Astronomia Ancestral, desenvolvido nesta pesquisa sobre os calendários, é fundamental para se poder entender por que motivo as civilizações antigas atribuíram à astronomia uma relevância cultural, científica e espiritual absoluta.

Era sobre as órbitas dos planetas e as suas dinâmicas com outros planetas, traçadas e descritas no espaço e no tempo, que estas culturas encontravam o padrão sobre o qual o universo se manifestava no céu —  reproduzindo as mesmas leis e ordem de expansão na superfície de cada planeta.

O padrão astronómico em que este estudo se baseia é desenvolvido sobre uma observação ancestral circular, que utiliza como a sua principal ferramenta a Matriz de 1440 minutos.

Uma investigação que consistiu na procura e na interpretação dos padrões matemáticos e geométricos que deram origem às estruturas dos calendários — que se revelaram autênticos manuais de astronomia.

O método de estudo e os resultados desta pesquisa incidiram principalmente sobre o sistema do nosso planeta Terra com a Lua e o Sol.

É a partir das suas órbitas que podemos confirmar que, com base nos cálculos e método ancestral, os vários movimentos, ciclos e alinhamentos desta mecânica astronómica — como a translação e a rotação da Terra e da Lua, os ciclos e movimentos do Sol, as lunações, as marés, os nodos lunares e os eclipses — se articulam numa dinâmica harmónica, descrita sobre padrões no espaço-tempo.

As órbitas e ciclos planetários ancestrais considerados neste estudo correspondem com precisão aos estabelecidos na cultura moderna — no entanto, na Astronomia Ancestral, as órbitas e toda a sua mecânica são sempre descritas sobre amplitudes e valores inteiros e racionais — e se não for assim, significa que não escolhemos o caminho correto nos cálculos da nossa observação.

Nesta astronomia é lei que as dinâmicas manifestadas pelo universo correspondem unicamente a valores perfeitos, harmoniosos e proporcionais no espaço-tempo, na matemática e na geometria — um método de estudo que se corrige a si próprio.

E as surpresas e correspondências que esta astronomia nos oferece não se ficam por aqui — para além da perfeição e harmonia dos números inteiros com que eram calculados os ciclos e órbitas dos planetas, e que se organizavam sobre padrões coerentes — o seu método permitia identificar todo o sistema de forma tridimensional no espaço-tempo.

Assim, a astronomia descrevia a teia construída pela dinâmica planetária, sobre padrões organizados sempre proporcionais, assentes em dimensões, amplitudes e valores numéricos fixos com origem nos movimentos dos planetas.

Uma teia onde a repetição circular e cíclica dos padrões da mecânica celeste é o que dá forma à sua estrutura, que se reproduz e multiplica em sequências de sistemas articulados, sistemas dentro de sistemas, em todas as escalas e dimensões — que podem ser observados e integrados sobre múltiplas perspetivas, alinhamentos e articulações — sejam de ordem binária, ternária, quaternária, decimal ou duodecimal — matemática e geometricamente perfeitos, sempre proporcionais e em harmonia.

Um padrão cósmico oferecido pelo universo — encontrado pela Astronomia Ancestral.

I - 2. A Ciência Circular — A Transição do Céu para a Terra


Mesmo que o sistema astronómico das culturas ancestrais seja consideravelmente diferente do sistema moderno, em momento nenhum eles se contradizem. Embora as órbitas dos planetas sejam descritas sobre métodos diferentes, no final das contas eles coincidem. Porém, já fora do âmbito da astronomia, podemos reconhecer nas bases operacionais da nossa cultura moderna, valores e sistemas fundamentais que correspondem e se alinham com os padrões descritos nas dinâmicas celestes explicadas pelas culturas ancestrais. 

As equivalências encontradas entre os modelos científicos das culturas, ancestral e moderna, são constantes e admiráveis. Embora existam muitas semelhanças, estas nem sempre se estabelecem ajustadas aos mesmos âmbitos culturais, científicos ou espirituais.

São muitos os ensinamentos de astronomia antiga que fazem parte dos conhecimentos da cultura, ciência e espiritualidade modernos.

Muitos desses conceitos e convenções estabelecidos na nossa cultura correspondem a princípios desta astronomia — no entanto, não são identificados como tal — e não lhes é atribuída qualquer origem científica sobre as bases em que assentam as suas interpretações, ou que justifiquem o seu uso.

Se o sistema científico astronómico moderno se revela de uma precisão absoluta em termos dos ciclos e órbitas planetárias, o mesmo podemos dizer sobre o método ancestral, que nos pode deixar verdadeiramente surpreendidos com o rigor e cálculos apresentados. E se aprofundarmos mais um pouco os seus métodos científicos, vamos poder ir muito além da astronomia.

Esta pesquisa sobre astronomia permitiu concluir que as civilizações antigas tinham um método de estudo científico focado no caráter cíclico da natureza, num sistema de observação onde não só os planetas se expandiam de forma circular.

Para estas culturas, todos os fenómenos e eventos do universo, em todas as escalas e dimensões, evoluíam segundo padrões de ordem cíclica.
Um modelo científico ancestral, uma Ciência Circular, onde qualquer fenómeno natural ou planetário era observado sobre os ciclos correspondentes à sua expansão e evolução no universo — tanto na astronomia como na superfície da Terra. 

Um método de estudo aplicado na cultura, na ciência e na espiritualidade.

I - 3. A Matriz de 1440 Minutos — O Referencial de Evolução Integrada 


Em termos de cálculo e mecânica celeste, as culturas ancestrais utilizavam nas suas observações científicas um instrumento de meditação circular, poderemos considerar análogo ao sistema cartesiano moderno. Ferramentas de estudo distintas, adequadas a diferentes perspetivas de observação em cada cultura — o modelo circular ancestral e o linear moderno.

Era sobre este referencial circular — a Matriz de 1440 minutos — que as culturas ancestrais estudavam e interpretavam, de forma orgânica, as leis e manifestações do universo. Este sistema permitia observar a ordem cíclica em que se desenrolava a evolução e a expansão dos eventos naturais em todas as escalas e dimensões.

Um método de estudo, onde nenhum acontecimento ou fenómeno pode ser considerado de forma isolada, linear ou individual, mas sim sobre um padrão fixo básico na evolução natural, retratado fielmente na Matriz de 1440 minutos.

Este é o principal fundamento da Ciência Circular, onde a vida e a natureza são explicadas e observadas como um sistema de evolução integrada, assente em modelos cíclicos manifestados em todas as formas de existência, na qual tudo e todos cumprem o mesmo modelo circular com princípio, meio e fim — o ponto zero, os 720 minutos e os 1440 minutos na Matriz.

Um Sistema científico no qual qualquer elemento ou evento universal era observado de forma integrada e em conjunto com os seus próprios ciclos naturais — o nascimento (ponto zero), a maturidade (720 minutos) e a morte (1440 minutos).

Os conhecimentos ancestrais não se limitavam a observações de ordem física e mecânica. Nestas culturas, todos os fenómenos materiais e físicos eram acompanhados de forma simultânea pela sua parte psíquica. Uma realidade onde qualquer evento ou fenómeno natural se manifesta sobre duas dimensões complementares e indissociáveis — o plano físico e o plano psíquico.

Assim, qualquer manifestação e expansão física vinha sempre acompanhada pela sua expressão e transformação psíquica, operadas e calculadas como um sistema duplo de evolução natural.

Para a ciência ancestral, os eventos naturais assentavam em padrões proporcionais de evolução física e psíquica simultânea, uma condição e manifestação do universo em todas as ordens e dimensões — um equilíbrio fundamental para que qualquer experiência ou evento natural se pudesse considerar completo. 

Os resultados deste estudo assentam em dois pilares principais — o primeiro baseia-se na tradução e explicação detalhada do sistema astronómico ancestral encontrado nos calendários — e o segundo é dedicado à interpretação e compreensão do desenvolvimento dos conceitos científicos ancestrais que derivam do conhecimento da astronomia, articulados com as leis e ordem da vida e da natureza na superfície da Terra.

Recuperar o sistema de cálculo dos ciclos planetários descritos pelas culturas ancestrais representa o principal objetivo desta pesquisa. Foi a compreensão do seu engenhoso método astronómico que permitiu obter o panorama completo sobre a verdadeira dimensão e o rigor do conhecimento científico que estas civilizações puderam alcançar — um entendimento que poderá significar novas possibilidades e perspetivas de estudos diferentes, em todas as áreas da investigação relacionadas com a astronomia e as culturas ancestrais.

Enquanto o principal pilar deste estudo se fundamenta na mecânica celeste, e no seu modelo matemático e geométrico perfeito e rigoroso, o segundo ergue-se sobre a estrutura conceptual que o sustenta — uma rede de conceitos desenvolvida a partir da astronomia, que dá origem a um sistema científico integrado e coerente, a Ciência Circular.

É nesta rede de conceitos que assentam os alicerces de toda a ciência e conhecimento ancestral — um sistema estruturado sobre as leis universais e validado pelos ensinamentos da astronomia — a sua verdadeira fonte de sabedoria.

I - 4. A Tridimensionalidade do Espaço-Tempo — Sentido Solar e Sideral  


Assim, o primeiro e mais importante conceito a considerar nesta rede de conhecimentos deduzidos a partir da astronomia é o facto destas culturas atribuírem ao universo um caráter duplo, físico e psíquico, manifestados de forma simultânea e complementar.

Este é um conceito fundamental na ciência ancestral, entendido e confirmado pela astronomia a partir da mais importante das suas convenções, que determina que o espaço-tempo é uma rede dinâmica tridimensional, construída sobre três coordenadas, duas de espaço e uma de tempo.

Neste sistema, a mesma coordenada de tempo era combinada com duas dimensões de espaço, opostas e complementares, uma prática que atribui dois sentidos orbitais sempre considerados pela astronomia — o sentido solar e o sentido sideral — revelando-se assim o caráter duplo do espaço, do tempo e dos movimentos planetários.

É importante ressaltar que o movimento sideral ancestral, referido neste projeto de Astronomia Ancestral, não corresponde ao modelo astronómico moderno, onde as estrelas servem como ponto de referência para a medição, distanciando-se, assim, do sistema em que se enquadra este estudo.

O movimento no sentido solar na astronomia estabelece a correspondência com o padrão de manifestação do plano físico e material na superfície da Terra e no universo.

Enquanto o sentido sideral dos planetas se relaciona com o modelo do plano psíquico do universo.

Estes são conceitos pertencentes à astronomia e ao espaço-tempo, que se ajustam, de forma anatómica, à dupla expressão dos eventos e fenómenos naturais, físicos e psíquicos — o sentido solar e o sentido sideral, em perfeita consonância com a manifestação física e psíquica do universo.

O sentido solar descreve o planeta em órbita de forma direta e objetiva — um modelo descrito pela astronomia que estabelece uma estreita analogia conceptual com a forma como os fenómenos físicos se manifestam — em expansão pelo universo.

Já o significado do caráter mais criativo correspondente ao plano psíquico manifestado pelo universo ajusta-se, com precisão absoluta, ao conceito atribuído ao sentido sideral na astronomia — o qual descreve o movimento secundário de qualquer planeta que, para não desorbitar, acresce à sua órbita original movimentos extra, nos quais pode subir, descer, rodopiar ou bambalear.

Enquanto os movimentos solar e sideral surgem na astronomia ancestral explicados pela dinâmica da velocidade — movimentos opostos, complementares e simultâneos entre si, que atribuem ao espaço-tempo o seu caráter criativo e tridimensional. 

O mesmo sistema que estimulado pela dinâmica celeste se reproduz e manifesta de forma física e psíquica, uma duplicidade manifestada pelo universo compreendida pelas culturas antigas, onde a dimensão física ganha emoções e as emoções ganham um corpo, de forma articulada e proporcional em ambas as expressões.

Um modelo de vida e forma física, psíquica e emocional, que nasce, cresce e morre, sempre dentro dos parâmetros e leis universais a que pertence e que a determina. Este era um padrão expresso pelas dinâmicas cósmicas, confirmadas na natureza na superfície da Terra.

I - 5. A Sincronicidade e a Proporção das Dinâmicas Orbitais 


A relação conceptual entre os sentidos solar e sideral na astronomia e as manifestações física e psíquica do universo não se limitava à sua concordância na duplicidade que representam. Esta correspondência é, também, encontrada nas formas mecânicas que as determinam.

Os padrões matemáticos e geométricos nos quais a astronomia descreve o espaço-tempo, obedecem a parâmetros de correspondência entre as órbitas dos planetas, a forma como se cruzam com os outros planetas e as dinâmicas estabelecidas entre eles. Toda esta mecânica tece uma estrutura com padrões sempre proporcionais, articulados sobre múltiplas dimensões, em plena harmonia e sincronicidade.

Uma realidade expressa no céu que pode ser observada também sobre a superfície da Terra, um sistema que se desenvolve sobre estruturas vivas e físicas que se expandem e articulam entre si. Uma rede diversificada de sistemas que se reproduzem, se cruzam e que evoluem em conjunto e de forma individual em simultâneo.

Quando acrescentamos às órbitas dos planetas o movimento sideral — onde se pode compreender a profundidade tridimensional em que se estabelece a sua mecânica, a sua obliquidade e as variantes criativas que se acrescentam aos seu movimento regular, observadas na astronomia. As oscilações registadas nas órbitas dos planetas nos movimentos siderais não ocorrem de forma aleatória, mas sobre uma ordem de proporcionalidade e equilíbrio estabelecida com a estrutura de movimentos orbitais no sentido solar. 

Este é um princípio fundamental da astronomia, um padrão que podemos reconhecer no processo de crescimento dos fenómenos na natureza da Terra.

I - 6. Sistemas Naturais e cíclicos


No nosso planeta, os sistemas materiais e físicos naturais não se desenvolvem de forma totalmente idêntica, existem sempre pequenas diferenças na sua estrutura e identidade particular — quer sejam notados na mesma espécie ou ordem, individual ou sistémica.

As particularidades a que os sistemas naturais estão submetidos na sua evolução, que influenciam e alteram o seu desenvolvimento, sobre a forma de pequenas variações possíveis de identificar no seu progresso — um fenómeno que acontece de forma restrita, proporcionalmente ao seu percurso original.

Assim, como na astronomia onde os planetas para não desorbitarem acrescentam à sua órbita regular, pequenos movimentos em direções contrárias sobre leis restritas de equilíbrio e proporcionalidade essenciais.

O mesmo acontece na natureza sobre a superfície da Terra, mesmo que os fenómenos sofram pequenas alterações no seu percurso natural, esta é uma propriedade fundamental da manifestação física e material, que se estabelece dentro dos padrões de equilíbrio e proporcionalidade integrados com os parâmetros básicos da sua estrutura principal.

Os ciclos e órbitas, a que os eventos naturais na Terra e na astronomia estão sujeitos e submetidos, no decorrer da sua existência física, não são apenas simples trânsitos mecânicos. Eles são acompanhados por uma contínua mudança de circunstâncias — que resultam na alteração constante das qualidades do processo da experiência, em todos os eventos e fenómenos a cada momento. 

Os solstícios e os equinócios são um bom exemplo prático para ilustrar a complementaridade entre a evolução mecânica e as variações das propriedades naturais dos eventos. A mecânica orbital da Terra em torno do Sol, no seu movimento de translação, gera uma transformação constante e gradual nas suas qualidades naturais — o ciclo das estações do ano.

As alterações manifestadas na diferença de posicionamentos na órbita do nosso planeta fazem-se sentir tanto no próprio planeta como na sua natureza, alterando o caráter dos fenómenos — de forma global, individual, integrada e contínua — nas suas perceções, impressões e estímulos, no desenrolar da sua atividade.

I - 7. Os Paradigmas — O Método Ancestral e o Mecanicismo Moderno 


Nas culturas ancestrais, a natureza e o universo não eram consideradas manifestações assentes em mecanismos puramente físicos observados sobre forças abstratas — como a energia, a luz ou a gravidade — conceitos inexistentes no seu sistema científico, fenómenos e grandezas específicos, explicados sobre a perspetiva da ciência e cultura modernas.

A ciência ancestral era integralmente fundamentada nos vastos ensinamentos da astronomia, com uma especial e determinante incidência no conceito de espaço-tempo — desenvolvido por estas culturas de forma articulada e integrada com os conhecimentos da mecânica planetária.

Este sistema de observação cientifica é a explicação da forma como a ciência moderna e ancestral descrevem os mesmos fenómenos sobre métodos praticamente inconciliáveis. Ainda que ambos sejam corretos, estabelecem-se sobre paradigmas divergentes — que não se contradizem, mas que se podem perfeitamente complementar.

O principal afastamento cultural, cientifico e espiritual entre as civilizações ancestrais e modernas é determinado essencialmente pela forma como ambas explicam e articulam a manifestação física e psíquica da vida, da matéria e da natureza.

Enquanto a ciência moderna explica a manifestação do universo de forma mecânica do ponto de vista físico e químico, onde os acontecimentos surgem como uma sequência natural de causa-efeito lineares.

O método ancestral descreve o universo como um sistema dinâmico, que se organiza sobre padrões estruturados no céu, manifestando-se de forma física, psíquica, complementar, simultânea e proporcional — em todas as escalas e dimensões.

Uma ordem explicada de forma essencial pela astronomia, onde as leis e os padrões de manifestação do universo são explicados sobre referências comuns entre o céu e a Terra, estabelecendo uma relação direta entre a dimensão vertical do cosmos e a horizontalidade da vida na superfície do nosso planeta. 

Um modelo cientifico confirmado e observado de forma abrangente nos sistemas de desenvolvimento e evolução da natureza sobre a superfície da Terra, onde está incluído também o processo evolutivo da vida cultural e espiritual da humanidade.
 

I - 8. A Projeção Horizontal — O Espaço-Tempo como Gerador da Vida 


Uma realidade dinâmica, construida de forma multidimensional, gerada a partir da estrutura do espaço-tempo, articulada e organizada dentro dos seus moldes e padrões matemáticos e geométricos.

A natureza era desta maneira compreendida pelas culturas ancestrais como uma estrutura bem enraizada na Terra, mesmo que criada sobre as leis e dimensões ditadas pelo céu. Os sistemas naturais da Terra surgem de forma articulada e integrada entre si e sobre as mesmas leis, em todas as ordens e dimensões, sempre dentro dos parâmetros de equilíbrio e integridade expressos pelo espaço-tempo.

Uma perspetiva científica, onde os eventos, animais, vegetais ou materiais, pudessem ser observados de forma individual ou em grupo, a natureza era considerada como uma estrutura única e integral, no tempo e no espaço horizontais da superfície da Terra. A realidade era como um manto lançado pelo céu, que se desenrolava sobre uma malha de acontecimentos, integrados, cíclicos e evolutivos — uma dinâmica com aparente vida e vontade própria — mesmo que submetida às leis e ordem do universo.

É sobre esta correspondência entre o céu e a Terra, em que surge a vida e a natureza, vinculada aos padrões descritos no espaço-tempo pela dinâmica planetária, um conhecimento considerado de forma cientifica pelas culturas ancestrais.

Um conceito que afastava de forma decisiva a ideia de que a natureza na superfície do nosso planeta se estabelecia de forma autónoma, mas sim, como uma extensão dos eventos astronómicos estabelecidos pela sua própria órbita, traduzidos por uma realidade projetada numa nova dimensão, agora horizontal.

O sistema natural da superfície da Terra era explicado por estas culturas como uma rede transmissora dinâmica alinhada com o céu — outra dimensão do mesmo espaço-tempo. No entanto, se o espaço-tempo do céu é descrito pelos planetas, o espaço-tempo no plano horizontal funciona no sentido reverso, é ele próprio o gerador da vida e da forma.

Um espaço-tempo que, na superfície molda e determina o padrão e as leis segundo as quais a natureza se manifesta nas suas múltiplas ordens e dimensões, onde surge a vida, a matéria e a forma — que se expandem e multiplicam sobre estruturas mecânicas, geométricas, articuladas e proporcionais — na sua dimensão física.

I - 9. A Dimensão Psíquica da Matéria e a Inteligência Cognitiva do Universo 


No entanto, nesta rede universal estabelecida no espaço-tempo, no céu e na Terra, onde os sistemas se expandem e manifestam sobre leis de complementaridade e equilíbrio dinâmico, o padrão repete-se na sua dimensão física — da vida, da matéria e da forma — que, embora movida pelo seu próprio fluxo de evolução e desenvolvimento, só se torna verdadeiramente completa com a sua outra parte — a sua dimensão psíquica.

As propriedades que determinam o espaço-tempo como construtor da vida e da natureza, na sua dimensão puramente física, mesmo que, em plena expansão e abundância, é, na verdade, um sistema que opera sobre um mecanismo cego — funcional, grandioso e harmonioso na sua estrutura, mas incapaz de manifestar a sua dimensão qualitativa. 

É na dimensão psíquica do universo e do espaço-tempo, no céu e na Terra que a natureza adquire a perceção da qualidade da experiência. Um sistema psíquico que as culturas ancestrais consideravam como uma dimensão integrada com a dimensão física, como os dois lados de uma única moeda — manifestações fundamentais do universo, complementares, simultâneas e inseparáveis.

A explicação cientifica da qualidade psíquica da natureza, é o ponto de maior afastamento entre o pensamento das culturas ancestrais e da moderna. Para a ciência ancestral, a manifestação física do universo é sempre acompanhada pela sua faculdade psíquica, uma propriedade essencial da matéria, que lhe permite ultrapassar o seu potencial meramente mecânico e alcançar assim, a sua dimensão cognitiva, com a qual lhe é permitido captar e compreender as variações cíclicas a que está submetida durante processos de expansão e evolução no céu ou na Terra.

A dimensão psíquica torna completo o código em que o universo se manifesta e cria a vida, a matéria e a natureza — acrescentando à dinâmica dos seus sistemas naturais uma sensibilidade e emocionalidade inatas e orgânicas — o sensor que a capacita para detetar os estímulos recebidos durante a experiência mecânica evolutiva.
 
A psique é a qualidade natural do universo, que permite alcançar e reconhecer as variáveis e os diferentes aspetos com que se confronta e relaciona, a que o seu sistema tem que se adaptar no decorrer dos seus ciclos evolutivos no espaço-tempo.

Assim, a dupla dimensão física e psíquica do universo converte a natureza numa dinâmica dotada de inteligência própria — sobre a sua habilidade interna, sensorial, cognitiva e emocional — que lhe permite processar e responder aos estímulos detetados a cada momento da sua expansão, e transformá-los em experiências variadas no seu sistema evolutivo, no espaço e no tempo.

Um sistema movido e tecido pela dinâmica celeste — onde a matéria se torna psíquica e os corpos ganham emoções. Uma evolução desenvolvida de forma simultânea e integrada, dentro do mesmo espaço-tempo.


Parte II — A Natureza Viva, a Psique e a Emocionalidade da Matéria



II - 1. A Rede Psíquica e Emocional da Matéria e a Sublimação Espiritual 


Os moldes em que se ajustavam os princípios ancestrais onde relacionavam a matéria com a psique e a astronomia, são os mesmos que caraterizam os padrões de expansão e manifestação do universo de forma circular e cíclica, matemática e geométrica, sobre modelos de múltiplas ordens, dimensões e escalas sempre proporcionais e em plena harmonia e equilíbrio — o espaço-tempo, em que se desenrolava a viagem da Terra sobre o universo e na sua superfície. 

A vida física e da matéria estabelece-se na mesma estrutura onde se desenvolve o sistema psíquico e emocional — sobre as mesmas leis, padrões, dimensões e escalas, com a mesma harmonia, equilíbrio e proporcionalidade matemática e geométrica perfeitas, determinadas pelo universo — duas dimensões complementares que operam de forma simultânea e proporcional.

Um universo visível e invisível, que se multiplica a partir de duas dimensões que se relacionam numa rede tridimensional dinâmica de espaço-tempo comum — onde a matéria e os corpos se expandem e evoluem interior e exteriormente, de forma individual ou sistémica.

Testemunhos de experiências induzidas por substâncias psicadélicas em estados alterados de consciência — em contextos clínicos, terapêuticos, espirituais ou em experiências transpessoais — revelam frequentemente a presença de organismos naturais ligados entre si por teias e estruturas geométricas.

Existem também relatos de que elementos como pedras, terra ou vegetação são percecionados como uma presença viva e inteligente, com uma capacidade concreta de transmitir sentimentos e emoções profundas — de afeto, alegria, acolhimento e amor incondicional.

O sistema cientifico em que assentam os princípios ancestrais sobre a trama em que se estende a natureza na Terra e no céu, e a interligação entre os seus sistemas, não eram explicados como forças energéticas aleatórias, mas como fenómenos em modelos muito mais orgânicos, manifestações explicadas sobre padrões e estruturas físicas e psíquicas interligadas de forma dinâmica sempre em mutação. 

É sobre esta ligação entre a psique e a matéria que multiplicam de forma exponencial as possibilidades e as experiências naturais. Uma dinâmica onde se articulam as diferentes emocionalidades em todas as escalas e formas de vida, gerador de um imenso fluxo orgânico. Elevando o universo e a natureza a um ‘show’ de vida de cor e emoção, que na sua essência, sente, ri e chora, para além de nascer, crescer e morrer.

E quando a realidade se apresenta assim, sobre modelos de sensibilidade, inteligência e emocionalidade que relacionam a matéria, a mecânica celeste e a vida no planeta Terra, encontramos a justificação científica para que as culturas ancestrais tivessem enquadrado a natureza como um  fenómeno físico e emocional multidimensional a ser vivido de forma consciente e evolutivo para a humanidade.

É neste modelo cósmico onde a emoção, a vida e a forma se misturam, e se elevam sobre padrões de equilíbrio e harmonia — onde surge a espiritualidade, a terceira dimensão ancestral, o processo de sublimação. O resultado da articulação da dimensão físicas e psíquicas do universo oferecendo um significado sagrado —  à vida, à natureza e à evolução.

II - 2. A Emergência do Novo Paradigma — Da Desconstrução de Descartes ao Reconhecimento dos Direitos da Natureza    


É interessante observar como muitos avanços recentes da ciência moderna aproximam cada vez mais, de forma conceitual, duas ciências e Eras tão distantes como a ancestral e a contemporânea.

Na perspetiva científica ancestral, a forma como compreendiam a essência do universo assentava sobre dinâmicas de emocionalidade atribuídas a todos os fenómenos — em todos os momentos, em todas as dimensões e escalas da natureza, sentidas de forma isolada ou em conjunto — um sistema integrado, onde a forma, a matéria, a vida e as emoções se manifestam sobre uma rede integral e ininterrupta.
 
É notável a evolução da ciência nas últimas décadas ao ultrapassar a perspetiva clássica, que limitava a emoção a um privilégio da mente humana, devolvendo-a progressivamente à natureza.

Desde o século XVII, o filósofo e cientista René Descartes separou o corpo e a matéria, da mente e da razão — considerando a emoção como um atributo exclusivo da mente humana. 

Uma visão que dominou a ciência ocidental durante mais de 300 anos, mesmo tendo sido contestada ao longo deste período — por Charles Darwin, no século XIX, com a publicação "A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais", e já no século XX pela investigadora Jane Goodall, ao demonstrar que os animais também têm emoções.

Mas o verdadeiro golpe científico, formal e decisivo, a este modelo foi realizado por António Damásio, com a publicação "O Erro de Descartes" em 1994, onde demonstra que a emoção é um mecanismo biológico de regulação na resposta do corpo e da matéria. Retirando as emoções do domínio exclusivo da humanidade, dando início ao processo de as devolver a todos os organismos vivos — como um recurso essencial de sobrevivência da própria natureza.
  
Em 2010, este entendimento expandiu-se à biologia e à ecologia, com o biólogo e professor Stefano Mancuso, da Universidade de Florença, ao fundar as bases da neurobiologia vegetal, explicadas em 2013, no livro "Verde Brilhante".

Em paralelo, a ecóloga Suzanne Simard, da Universidade da Colúmbia Britânica, publicou os seus estudos pioneiros apresentados na obra "Finding the Mother Tree" em  2021 — demonstrando que as plantas e os ecossistemas florestais comunicam, respondem a estímulos e trocam informação através de redes subterrâneas integradas. 

Os primeiros sinais de uma mudança de paradigma, consolidados em 7 de julho de 2012, com a "Declaração de Cambridge sobre a Consciência". Um manifesto onde a comunidade científica global reconheceu oficialmente que — as estruturas que geram os estados emocionais e a consciência, são partilhadas por todo o reino animal. Uma cerimónia formal que reuniu um grupo de neurocientistas internacionais e que contou com a presença do físico Stephen Hawking.

Um tema que tem tido um progresso considerável neste princípio do século XXI, onde as novas evidências científicas modernas estão a contribuir para a aproximação de muitos conceitos ancestrais, demonstrando a sua importância e impacto na legislação mundial, a partir de 2008.

Com clara relevância na América Latina, onde a natureza foi reconhecida como sujeito de direitos — como no Equador, na Constituição de 2008, com o conceito de Pachamama — na Bolívia, com a Lei dos Direitos da Mãe Terra, em 2010 e 2012 — na Colômbia, o reconhecimento do Rio Atrato em 2016 e da Amazónia em 2018 — no México e no Peru, com a atribuição de personalidade jurídica a rios e ecossistemas.

Na Europa e no mundo anglo-saxónico, onde a alteração se focou em retirar os seres vivos da categoria de "coisas" para os definir como "seres dotados de sensibilidade", como em França, em 2015, em Portugal, em 2017, em Espanha, em 2022 e no Reino Unido em 2022.

Atitudes e alterações que servem de inspiração para movimentos ecológicos e polémicas climáticas em todo o mundo, como o exemplo de processos sobre direitos de rios na Nova Zelândia, Índia, Equador e Canadá.

Estes são movimentos inovadores, mesmo que a sua implementação possa estar a enfrentar sérios desafios e lentidão governamental, estamos a assistir, de forma científica e cultural, ao declínio e à superação do dogma do antropocentrismo — já decadente e tão redutor para a vida da Terra, da natureza e da humanidade.

É a confirmação de que caminhamos a passos largos para um novo paradigma, em que a humanidade assume, finalmente, a natureza como sua parte integrante — renovando a sua forma de a compreender. Um modelo científico renovado onde a vida humana e as leis do universo se alinham e se correspondem — onde os ensinamentos das civilizações ancestrais vão poder oferecer um sério contributo na construção de uma nova Era e de uma maior consciência cósmica. 

II - 3. O Paradigma Moderno da Energia — Da Mecânica Quântica às Abordagens Holísticas 


O modelo tecnológico de observação moderna é baseada na captação de energia e ondas de luz — um sistema de medir, calcular, investigar e explicar aplicado em toda a ciência, da astronomia à medicina. Uma abordagem onde as forças e transformações dos eventos naturais, são observados sobre o campo energético que os envolve, sobre conceitos e medições abstratas.

Uma perspetiva científica e cultural também adotada em práticas filosóficas e em abordagens holísticas modernas, que observam a influência do universo na mente humana, sobre conceitos de energia e frequência vibracional — que, assim como na ciência, são avaliados, interpretados, explicados e assentes em conceitos e referências abstratas.

A ciência moderna explica o universo sobre os conceitos de matéria e energia de forma unificada, as duas faces da mesma moeda, onde a matéria é uma manifestação de energia condensada. Um sistema que encontra as leis do universo na velocidade da luz e na mecânica quântica, observadas no comportamento da dinâmica da matéria (átomos) e da energia (quanta, os pacotes de energia) e na dualidade onda-partícula — que se manifesta na energia (fotões) e até na própria matéria (eletrões).

Este sistema científico, baseado na dinâmica da energia e da luz sobre a matéria, produziu uma mudança e influência natural no modelo cultural atual — onde surgem conceitos e termos, como vibração, energia e frequência para descrever estados psicológicos e espirituais em interações sociais ou individuais. Assim, tanto na ciência como na cultura moderna a realidade é reconhecida e determinada sobre paradigmas assentes em energia, seja ela física ou psíquica.
 

II - 4. A Tecnologia Ancestral e a Natureza como Laboratório Cósmico 


Na ciência das culturas ancestrais não eram consideradas energias, ondas de luz ou forças como a gravidade, magnetismo ou atrito. Os eventos e fenómenos naturais eram explicados sobre os conhecimentos do espaço-tempo e da astronomia. Um sistema cultural e cientifico que compreendia as leis e a manifestação do universo sobre padrões e estruturas ordenadas, dinâmicas e cíclicas, determinadas pelo espaço-tempo da Terra e do Céu — expressas nas suas dimensões complementares, físicas e psíquicas.

Um modelo científico profundamente orgânico, que fazia do planeta Terra, da natureza e da humanidade o seu laboratório, onde os seus fundamentos assentavam nos ensinamentos astronómicos, que se espelhavam no comportamento dos processos naturais, em todos os fenómenos, planos, escalas e dimensões terrenas.

Conheciam os moldes em que a natureza se desenvolve e expande, estudavam o significado e a relação entre os elementos, reconheciam a influência dos ciclos de tempo sobre os eventos e compreendiam o seu funcionamento ordenado, em analogia com as estruturas e padrões tecidos na mecânica celeste.

Associavam, de forma científica, elementos e fenómenos naturais a objetos e eventos astronómicos — estabelecendo relações diretas entre eles. A natureza era o grande relógio cósmico que marcava o ritmo dos acontecimentos, físicos e psíquicos na superfície da Terra. Era sobre estes acontecimentos e comportamentos cíclicos da natureza que eram estudadas e identificadas as formas e momentos apropriados para intervenção humana cultural, científica ou espiritual. 

Ciclos e eventos cósmicos determinantes na construção do espaço-tempo, confirmados e observados também na abóbada celeste, com a construção de observatórios, templos e monumentos, erguidos sobre múltiplos alinhamentos, entre o céu e a Terra — confirmando a extrema pontualidade e rigor em que se realiza a nossa viagem pelo universo. Tendo assim sido construídos grandes centros astronómicos com instrumentos de observação científica de alta precisão, cuja funcionalidade é comparável aos nossos telescópios atuais.

As culturas ancestrais tinham a consciência de habitar num sistema natural, onde nenhum fenómeno ou evento subsiste de forma isolada; pelo contrário, nesta realidade, todos os fenómenos se revelam em condições de interdependência recíproca — quer seja através de ligações estabelecidas entre o mesmo elemento ou entre elementos diferentes, como no mundo animal, vegetal ou material.

Uma rede contínua de ligações invisíveis à perceção humana comum, mas reconhecida e considerada cientificamente, num sistema cultural que usava a natureza como o seu laboratório. A sua tecnologia de ponta eram algumas plantas, cogumelos e catos oferecidos pela própria natureza. Ferramentas que lhes proporcionavam, através de estados alterados de consciência — a capacidade de ir além dos limites da dimensão humana, e fazer experiencias e observações de caráter científico.

Confirmando assim, que a natureza era um organismo vivo de interações orgânicas e dinâmicas. Um sistema de observação científica, mesmo que sobre dimensões muito diferentes, pode ser comparável ao acelerador de partículas da ciência moderna, onde a ciência desafia os limites da natureza para a conhecer melhor.

Estas experiências comprovavam que todas as entidades — animais ou vegetais, pedras ou rios na superfície da Terra — não se conectavam simplesmente entre si — eram interseções atravessadas por uma emocionalidade latente e viva. Uma natureza onde cada elemento manifestava a sua própria expressão emocional — num processo sobre uma contínua transformação, que ressoava e se fazia sentir na rede.

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II - 5. A Dupla Manifestação Cósmica — O Diálogo entre o Visível e o Invisível  


É precisamente a emocionalidade em que a vida da Terra está submersa — e que as culturas ancestrais conheciam e estudavam cientificamente — que altera profundamente o sistema onde estão estruturados os conhecimentos culturais, espirituais e artísticos, e a sua influência na vida e na história destas civilizações.

Um desenvolvimento científico de um modelo natural, assente no princípio de que o universo tem duas formas de manifestação — uma visível e material, e outra invisível e psíquica — que se expandem e evoluem de forma complementar.

A manifestação material é definida no processo de crescimento e evolução do corpo físico, combinada com as sucessivas dinâmicas orbitais e ciclos evolutivos, que determinam o ritmo natural em que se desenrola o nascimento, desenvolvimento e dissolução — uma ordem a que todos os fenómenos estão submetidos, durante a sua viagem pelo espaço-tempo, na Terra ou no céu.

Enquanto a manifestação psíquica surge como um reflexo orgânico, sobre as mesmas dinâmicas orbitais e ciclos evolutivos, revelando-se de forma emocional num processo em mutação constante, que se materializa no corpo físico, modificando o seu desenvolvimento sobre leis e ordens na sua formação, transformação e transmutação — uma expansão e ampliação psíquica natural a que todos os corpos estão sujeitos.

Esta é uma perceção sensível e física da natureza, que se pode identificar a cada momento — no espaço e no tempo, no céu e na Terra, em qualquer dimensão — transmitindo e desencadeando alterações cognitivas em todo o sistema material.

Um sistema natural emocional e inteligente, que reage aos estímulos que a dinâmica mecânica lhe proporciona, numa articulação que une o psíquico ao físico — que se forma e nasce, se transforma e desenvolve, se transmuta e dissolve — num universo onde todas as coisas têm projeções emocionais e materiais em todas as dimensões e de forma simultânea.

Tudo isto amplia a importância e relevância da vida e da forma — sobre múltiplos planos, cores, sons e sentimentos — tornando esta viagem muito mais do que uma pura experiência mecânica individual, transformando-a numa aventura partilhada, numa manifestação de beleza e perfeição, num compromisso estimulante entre cada elemento e o todo, onde cada um tem de cumprir a sua parte.

É, assim, um sistema integrado onde cada parte cumpre o seu propósito fundamental no todo, seja qual for o seu destino final. Uma natureza viva que transcende a mera contemplação, impelindo todos os seus elementos a uma participação ativa.

Neste universo, a cada momento ou acontecimento do espaço e do tempo, a vida manifesta-se sobre processos cíclicos, físicos e psíquicos — seja na doença ou na saúde, na alegria ou na tristeza, em todas as formas de vida e de matéria. É um movimento contínuo que somos impelidos a integrar, numa ação incessante até ao último pulsar.

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II - 6. Autorregulação, resistência e Adaptação Cíclica da Vida  


A vida é um impulso sentido de forma constante pelos corpos e seres vivos, embora não seja um processo passivo, onde cada fenómeno ou evento é convidado pela realidade — a persistir, ajustar-se e multiplicar-se material e fisicamente. Um sistema natural circular e cíclico, com poder para provocar e estimular as entidades que o habitam, gerando uma reação emocional interna, que processam, e que os impulsa para procurar a encontrar o equilíbrio, despertando para a capacidade de agir por si próprio, e mudar o rumo dos acontecimentos sem colapsar.

Desafios cósmicos e naturais, constantes e contínuos, que se manifestam em todas as dimensões e de forma cíclica, sobre magnitudes e intensidades variáveis. É possível encontrar padrões de forma científica, nos ritmos e estímulos em que a natureza opera, assim como nos processos e respostas orgânicas em que como as diferentes entidades restabelecem o equilíbrio, modificando continuamente a sua capacidade de ação até ao seu ponto de retorno. 

Este é o processo sobre o qual a vida atravessa todos os fenómenos e entidades as quais têm que, detetam os estímulos, correspondem procurando um novo equilíbrio que amplia as suas capacidades, expandindo-se e evoluindo, seja qual for a sua condição ou dimensão, em qualquer ponto ou momento, sempre dentro dos padrões da estrutura do espaço-tempo. 

Quando os seres vivos e os fenómenos naturais quando sofrem perturbações, eles não voltam ao ponto de partida, é com o processo de readaptação que se expandem e evoluem. Um sistema de vida e de forma psíquica e emocional que nasce, desenvolve-se e que finaliza o seu percurso colapsando, ou iniciando um novo ciclo. Seja qual for a sua condição, em todos os seus reajustes evolutivos, acontecem sempre dentro de modelos de proporcionalidade relativos aos parâmetros e magnitudes do espaço-tempo a que pertencem.

Um padrão dinâmico de matéria e emoção, que necessita de se autorregular constantemente para não desorbitar ou implodir. Numa dinâmica onde tudo é dimensional e cíclico, físico e psíquico, onde todos os momentos e acontecimentos se expandem e multiplicam de forma emocional, criativa e inteligente, sempre dentro de pequenas proporções, restrições e limites, encontrados na própria estrutura do seu espaço-tempo, sobre as suas leis e ordem.

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Parte III — Arquétipos, Mitologia e a Mudança de Paradigma




III - 1. A Geometria do Espaço-Tempo na Matemática, na Arquitetura e na Espiritualidade 

Este é o universo que as culturas ancestrais conheceram e explicaram de forma cientifica, cultural e espiritual. Um paradigma em que o conhecimento assentava na teia do espaço-tempo — cujas medidas, magnitudes e proporções podiam ser encontradas em todos os processos e dimensões naturais na superfície da Terra. Mecanismos desencadeados na natureza sobre desafios e eventos exteriores, lançados sobre a vida e a forma, que a reestruturavam e a faziam evoluir, sempre dentro dos moldes e ordem da sua origem primordial — o espaço-tempo.

É através deste estudo e da Astronomia Ancestral que se pode compreender em que moldes as bases da matemática e da geometria se relacionam, de forma inequívoca, com os conceitos que determinam a trama da Terra.

É através dos conhecimentos e métodos desta astronomia que a matemática deixa de ser apenas uma estrutura de números e sequências organizadas de forma lógica e abstrata, construídas a partir de regras definidas pela mente humana, e passa a ser um modelo edificado sobre a própria observação do cosmos — descrito pela teia dinâmica do espaço-tempo, num padrão que se reflete também na geometria.

Podemos também encontrar na arquitetura autênticas representações astronómicas — com estruturas, medidas e proporções que não deixam dúvidas sobre como aquelas civilizações compreendiam a importância do alinhamento necessário ao padrão que a Terra, a Lua e o Sol descreviam no céu.

É também na mitologia, religiões, escrituras sagradas, oráculos, e tudo o que se relaciona com a vida espiritual ancestral e moderna onde se encontram referências que se ajustam com a astronomia. É interessante notar que, na atualidade, as religiões e muitos ensinamentos espirituais milenares ainda explicam a sua fé sobre padrões e formas de espaço-tempo ancestrais — e não sobre o modelo de energias abstratas modernas.

As correspondências astronómicas que podemos encontrar entre os sistemas culturais com a matemática e a geometria não se baseiam unicamente nos alinhamentos e na estrutura do espaço-tempo — pois também são incluídas as relações estabelecidas na ordem e dinâmica planetária da Terra, da Lua e do Sol — a mecânica celeste que acontecia de forma astronómica no céu e arquetípica na superfície da Terra.

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III - 2. Os Deuses como Arquétipos e o Alinhamento com a Ordem Cósmica 
 

A projeção física dos arquétipos relacionados com a mecânica da Terra, da Lua e do Sol na superfície do nosso planeta era reconhecida, pelas culturas ancestrais, em todas as formas de vida e dimensões — interpretada científica, cultural e espiritualmente.

As correspondências e significados atribuídos às figuras mitológicas nas civilizações antigas são profundas lições sobre astronomia e as leis do universo, explicadas de forma científica, arquetípica e espiritual. Os 'deuses' ancestrais representavam padrões de manifestação e desenvolvimento da natureza e do universo — eram, afinal, arquétipos vivos, modelos que serviram também de inspiração artística e mitológica — a forma de ilustrar e expressar os seus imensos conhecimentos sobre o universo, o céu e a Terra.

Um modelo científico ancestral que, quando bem compreendido, permite explicar em que moldes foi estruturado e desenvolvido todo o seu sistema cultural, espiritual e artístico — revelando-se brilhante e profundo, em nada rudimentar, um verdadeiro tesouro por desenterrar.

Mais do que reconhecer que o céu determinava a vida e a forma na Terra, as culturas ancestrais compreenderam que as funções naturais de qualquer ser vivo não eram apenas responder aos estímulos com que a natureza os impulsionava a evoluir, ao restabelecer uma nova harmonia — um ajuste que só pode ser alcançado dentro dos parâmetros do próprio espaço-tempo onde, mesmo numa versão mais evoluída, a sua ordem e leis nunca podiam ser corrompidas.

Uma lei inalterável da natureza, um princípio fundamental da ciência ancestral, que considera que o padrão do espaço-tempo é o molde criador da natureza, num processo de crescimento dinâmico, expandido pela sua própria criatividade e inteligência, em que a sua principal função é evoluir, sempre procurando o ajuste perfeito e proporcional à estrutura original e integrada no todo.

Os mesmos princípios eram aplicados e explicavam as leis e a ordem em que se estabelecia a vida da humanidade, onde a estrutura do espaço-tempo e as suas múltiplas dimensões eram o modelo de nascimento e o modelo de ajuste evolutivo, com a preocupação constante de se regular e de se alinhar com o padrão, leis e ordem ditados pelo cosmos, manifestados de forma física, cultural e espiritual.

Um compromisso que se pode também confirmar nas bases teóricas da matemática e da geometria desenvolvidas e aplicadas pela humanidade, assim como em estruturas arquitetónicas e monumentos — construídos sempre sobre alinhamentos e modelos astronómicos — e nas diversas formas de arte, onde são recorrentes ilustrações que representam símbolos e conceitos da astronomia.

Também é possível reconhecer — em símbolos, oráculos, parábolas e mitos — práticas e ensinamentos espirituais enquadrados e estruturados em dimensões gráficas e matemáticas, que se ajustam de forma anatómica às leis e à ordem astronómicas, e que coincidem com ciclos e eventos planetários do espaço-tempo da Terra.

Uma perceção cósmica da vida e da natureza na superfície da Terra unificada e totalmente orgânica, à qual a humanidade teria que corresponder e reajustar em plena consciência — durante a sua vida e dia a dia — de forma cultural, familiar, científica e espiritual.

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III - 3. A Mitologia como Ciência Psíquica — As Pontes com Jung e Joseph Campbell  

A diferença de paradigma com que a ciência ancestral e a ciência moderna explicam o universo foi o principal motivo do afastamento destas culturas — e não o tempo que as separa. As diferentes perspetivas e dimensões, em que se fundamentam os seus métodos de estudo, distanciam os resultados e conclusões entre si. O sistema ancestral é puramente orgânico e astronómico, enquanto o método moderno explica a natureza e o cosmos sobre mecanismos de forças físicas e interações químicas.

Na cultura moderna, a ciência e o plano espiritual são assuntos que não se misturam. Esta divisão cultural afastou os conhecimentos filosóficos e a espiritualidade do sistema científico — em que os fenómenos e conceitos sobre os quais assentam os seus fundamentos e os seus princípios são considerados criações exclusivas da humanidade — sem que seja reconhecida qualquer justificação ou relação matemática e geométrica, entre os padrões do espaço-tempo e o todo como nas culturas ancestrais.

A partir do século XX, a ciência moderna tem expandido os seus horizontes em novas direções que tornaram possível estabelecer pontes e correspondências com conhecimentos ancestrais, de forma a podermos finalmente avaliar o quanto avançadas eram, afinal, aquelas civilizações.

Por volta de 1912, com o psiquiatra suíço Carl Jung, a psicologia no século XX desenvolveu-se sobre novos paradigmas, que aproximaram os conceitos entre as culturas da atualidade e as civilizações antigas — uma evolução importante, que ofereceu ao pensamento moderno novos horizontes e a abertura necessária para agora podermos compreender e integrar a ciência ancestral.

Jung revolucionou o pensamento moderno ao propor o conceito de arquétipos — elementos e padrões da própria natureza que encontram correspondência na mente humana através de imagens e símbolos.

Este é um modelo conceptual que se ajusta com precisão ao sistema ancestral, em que as diversas manifestações na Terra e no universo eram identificadas por aquelas culturas de forma arquetípica e filosófica, representadas e caraterizadas nos seus deuses e múltiplas entidades sagradas.

Uns anos depois o mitólogo norte-americano Joseph Campbell, na sua obra clássica 'O Herói de Mil Faces', volta a aproximar-nos da essência rigorosa dos conhecimentos ancestrais, quando nos convida a refletir sobre os deuses e os mitos antigos, que não devem ser interpretados como falhas de explicação científica, mas sim como símbolos psicológicos universais.

Campbell imortalizou este conceito décadas mais tarde, na sua obra de síntese 'O Poder do Mito' (1988), onde o autor defende que as representações e narrativas mitológicas ancestrais não eram fantasias primitivas, mas autênticas "pistas para as potencialidades espirituais da vida humana".

Para Campbell, os mitos ancestrais surgem naquelas culturas por não existir separação entre a dimensão espiritual e a realidade física, uma visão unificada, onde o plano invisível e o mundo material eram uma coisa só. O autor explica que os povos antigos traduziam o impacto do meio ambiente numa linguagem simbólica comum, que ilustra metaforicamente a relação direta entre o ser humano e a natureza, construída sobre conhecimentos e ensinamentos retratados pela sua mitologia. 

Influenciado por Carl Jung, Campbell defendia que, longe de serem invenções locais, os mitos expressam arquétipos — moldes mentais universais partilhados pela humanidade que influenciam e operam de forma cíclica e circular através de padrões psíquicos repetitivos de partida, iniciação e retorno. Inspirada na natureza e na mente, esta Jornada do Herói é um ciclo contínuo onde cada etapa superada abre caminho à crise seguinte, gerando uma espiral de amadurecimento ao longo das fases da vida.

Se cruzarmos o pensamento de Campbell e os conhecimentos que a Astronomia Ancestral nos oferece, temos a confirmação concreta de que, na verdade, a mitologia era uma linguagem não apenas psíquica, mas também científica, capaz de explicar como a mecânica do céu se vincula com a vida da natureza e da humanidade, numa dinâmica unificada que atribuiu um caráter sagrado ao universo.

Para aquelas culturas, o mito explicava como os conceitos da astronomia, e os seus conceitos, como alinhamentos, cruzamentos e outros eventos planetários se manifestavam como dinâmicas repletas de ensinamentos sobre as leis e a ordem do universo, e de que forma se refletiam na natureza sobre a superfície da Terra.

A tradução e compreensão plena deste sistema permitia à humanidade a sua integração no universo, de forma mais elevada e consciente.

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III - 4. O Ciclo dos Paradigmas: Kuhn e o Princípio de Planck

A Ciência Circular é a estrutura que dá suporte e que explica todo o sistema cultural e espiritual das civilizações antigas — é a Astronomia Ancestral, com os seus ensinamentos e conhecimentos, que revela a consistência matemática, física e arquetípica em que era estabelecido e articulado o significado da vida, da arte e da espiritualidade — os alicerces fundamentais do seu paradigma e a sua consagração.

Enquanto o paradigma em que assenta o conhecimento da cultura moderna é focado na dimensão física da matéria e da realidade concreta — um modelo científico linear e vetorial, assente na relação direta de causa-efeito e no cálculo de forças físicas e reações químicas — um sistema que opera sobre valores teóricos, entre escalas microscópicas e dimensões imensas, recorrendo a fórmulas, equações e operações matemáticas, apoiado por supercomputadores e tecnologia de ponta para explicar o universo. 

Em 1962, o físico e filósofo Thomas Kuhn, defendeu a ideia de que a ciência avança através de "paradigmas" — e que estes são os modelos conceituais que orientam e definem o pensamento científico de cada época.

Este princípio formulado por Kuhn, na sua publicação "A Estrutura das Revoluções Científicas" de 1962, revolucionou a forma como podemos compreender o desenvolvimento científico da humanidade. Kuhn rompeu com a visão tradicional de que a ciência avança de forma linear, cumulativa e contínua. O autor explicou que a transição de um paradigma para outro não é um processo puramente lógico ou matemático, é uma mudança de perspetiva social e histórica.

Kuhn defendia que sistemas baseados em paradigmas diferentes são marcados pela incompreensão mútua, distorção e rejeição, dois mundos distintos, em que conceitos diferentes, transmitem realidades completamente distorcidas.

Para ilustrar e completar este pensamento, Kuhn recorre ao Princípio de Planck, em que explica que uma cultura científica dominante quase nunca é convencida por debates lógicos — o novo sistema só vence quando os defensores do antigo paradigma morrem e uma nova geração cresce habituada às novas ideias.

Este conceito foi formulado pelo físico alemão Max Planck na sua Autobiografia Científica e Outros Ensaios, de 1949, usualmente explicado de forma simplificada com a expressão: "a ciência avança de funeral em funeral".

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Logotipo da Astronomia Ancestral por Joana Burnay.


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